segunda-feira, 20 de novembro de 2017

NO DIA DO ANIVERSÁRIO
No dia do aniversário
o cardápio é vário
e consome quase todo o meu salário,
leva o meu dia e às vezes me traz a poesia
numa velha bandeja,
e depois alguém me beija
meio sem vontade,
meio sem desejo
e eu me vejo assim:
com todo mundo e sem mim.
No dia do aniversário
eu vejo o calendário
e ele me olha com dó
e me diz: é meu caro,
hoje você está mais ou menos
e agora tem um ano a menos
para viver, para gozar e para sofrer.
Finjo que não ouço,
pois ainda me considero moço,
com força e jovialidade,
mas dentro do peito
eu sinto que insiste
um jeito triste
e bate a saudade.
Cícero Alvernaz (autor) 20-11-2017.

domingo, 19 de novembro de 2017

FECHADO PRA BALANÇO
Hoje eu não escrevo.
Hoje eu só leio, manuseio
e de permeio avisto letras
e signos que bailam 
diante dos meus olhos
encantados e apressados
indo rumo a alguma coisa ou lugar.
Hoje eu não escrevo
e me vejo perdido
em lembranças boas
e sonhos coloridos
pelos quais eu fui atingido
em algum canto, em algum lugar.
Minha vida não é feita só de tristeza,
como muitos podem pensar.
Também tenho meus momentos
de alegria, poesia e algumas extravagâncias
que me dou o direito de fazer.
Chega de chorar,
muitas vezes até sem saber por que,
chega de poetizar sem destino
e sem mapa e julgar o livro pela capa.
Hoje eu não escrevo,
nem que me peçam sorrindo,
chorando ou de joelhos.
Hoje, vou me abrir
e depois me fechar para balanço.
Cícero Alvernaz (autor) 19-11-2017.

sábado, 18 de novembro de 2017

CLEMÊNCIA
Grunhido, balido, latido, gemido,
animal sem sentido, cansado, perdido.
muitas vezes sofrendo, imerso em dor,
ovelha vagando longe do seu pastor,
animal sozinho, longe da manada,
muitas vezes perdido no mato,
bem longe da estrada.
Animal pedindo socorro, clemência,
vivendo e sentindo a dor da ausência,
vivendo com medo de algum predador,
vivendo escondido, perdido, em dor.
Assim se inquieta e sofre e chora,
até que apareça o dia que a tudo alumia
e assim se anuncia na luz da aurora.
Cícero Alvernaz (autor) 18-11-2017.
MINHA RAZÃO E O MEU FIM
A vida me fez assim,
me moldou e me deixou
muitas vezes sem saber pra onde ir,
abandonado num canto
com o meu pranto,
com o meu medo,
sem me achar, sem me encontrar,
com um amor no peito
apertando de um jeito
que quase me sufoca,
me tira o ar, o sentido,
como um animal ferido,
perdido, com medo,
inseguro no escuro...
A vida me fez assim
e eu amo e me derramo
e clamo sem ser ouvido,
mas me reencontro comigo
e espero passar a tempestade,
depois, porém, a saudade,
traz tudo de volta
como um rio que se enche
e transborda e se inquieta,
e as lágrimas vêm
como um alimento, meu sustento,
uma marca deste amor
que só aumenta e me deixa assim,
pois a vida me fez assim
e o amor é a minha razão
e o meu fim.
Cícero Alvernaz (autor) 18-11-2017.

sexta-feira, 17 de novembro de 2017

POR AÍ
Perambulei por aí
procurando não sei o que,
olhando tudo e vendo,
na verdade, só vi você.
Achei até engraçado
a sensação que eu tive,
vendo você tão de perto,
me emocionei, não contive.
Vi os seus olhos num rio,
vi seu olhar numa flor,
vi seu carinho num riso,
identifiquei seu amor.
Perambulei por aí
como quem não quer ver nada,
mas vi em cada esquina
as marcas da minha amada.
Cícero Alvernaz (autor) 17-11-2017.
SOU SIMPLES
Sou simples,
amo a simplicidade,
trago as marcas da roça
e vivo aqui na cidade.
Ando a pé, de bicicleta,
com roupas velhas até,
meu coração é roceiro,
no meu peito tenho fé.
Sou simples
seja de noite ou de dia,
os meus versos são singelos,
é simples a minha poesia.
Escrevo sem pretensão
de ser ovacionado,
eu sou um simples poeta,
um poeta apaixonado.
Sou simples
como a florzinha do campo,
vou espalhando a luz
como um simples pirilampo.
Sou um poeta da roça,
venci a minha empreitada,
fui criado na humildade
pegando no cabo da enxada.
Cícero Alvernaz (autor) 17-11-2017.

quinta-feira, 16 de novembro de 2017

TE AMO TANTO!
Te amo tanto
que o sono me foge,
que o claro escurece,
que a vida emudece,
que o rio esquece
de ser e correr.
Te amo na noite
que vem e me aquece,
no dia que abre
e me apetece,
te amo no sonho
que sonho acordado,
no tempo que fico
sozinho, calado,
no riso que abro,
no choro que desce,
lá lágrima quente
que me enrubesce,
no verso que escrevo
em forma de prece.
Te amo tanto
que até me espanto
com tanto amor.
Te amo deitado,
te amo sentado.
te amo aqui, ali,
onde for.
Cícero Alvernaz (autor)
16-11-2017.
PATACOADA
Às vezes a gente pensa que está agradando e pode até apostar que está "abafando", mas, na verdade, não é nada disto que está acontecendo. Quanto mais pensamos assim mais investimos nos agrados e nos mimos e no capricho exacerbado e bem caprichado. Ninguém nos dá um toque, nenhum amigo nos chama de lado e nos adverte sobre o mico que estamos pagando, não sei se é por dó ou por medo de nos ofender ou aborrecer. Falamos e gesticulamos, gastamos nosso verbo, predicado, substantivo, metáfora, metonímia, antítese, catacrese e hipérbole. Enfim, desfilamos todas as figuras de linguagem sem sequer imaginar que estamos sendo inconvenientes. Isto acontece nas melhores famílias e depois só nos resta achar graça de nossa sessão de patacoada. (16-11-2017.

quarta-feira, 15 de novembro de 2017

PARA VOCÊ
Para você
eu componho um verso,
abro as comportas,
abro as portas do universo.
Para você eu declaro meu amor
em prosa e versos
sem medo de ser tolhido,
nem mesmo de ser proibido
em sentimentos imerso.
Para você
eu me abro e me fecho,
eu me entrego sem medo,
me solto e caio em seus braços,
desato no peito meus laços,
me jogo do alto da torre,
me entrego nas asas do vento,
me exponho a todo momento
e me lanço no espaço.
Cícero Alvernaz (autor) 15-11-2017.
SOU MINEIRO
Sou mineiro, natural de Minas,
Minas que é Gerais,
Minas que é demais,
Minas que cabe em meu peito,
Minas que faz muito mais.
Sou mineiro, nasci em Minas,
vivi em Minas, cresci em Minas,
estudei em Minas, lá me alfabetizei,
lá sorri, brinquei e chorei,
lá também trabalhei,
(naquele tempo criança trabalhava)
ao pai e à mãe ajudava,
trabalhava na roça, socava arroz no pilão,
ajudava a colher milho, ajudava a colher feijão
e ainda tinha tempo para brincar, se divertir,
pescar, nadar no rio, jogar bola,
correr na estrada e até tocar boiada,
viver feliz, em liberdade,
ter amor, felicidade,
independente da idade.
Sou mineiro, nasci em Minas,
conheço todas as esquinas
e todo canto esquecido
do meu Estado querido.
Cícero Alvernaz (autor) 15-11-2017.
BELEZA, OU FALSA BELEZA?
Virou febre, virou virose. Todo mundo quer emagrecer, rejuvenescer, virar tanquinho, violão e nada de ficar parecendo uma sanfona. É uma remedaiada que não tem mais fim sendo anunciada em todos os segmentos de comunicação. É pílula pra isto, pra aquilo e pra aquilo outro. Todo tipo de remédio, medicamento, pílula, pó, capsula, chá disto e chá daquilo para emagrecer, perder a barriga, os culotes, os cangotes, os potes e aparecer nos holofotes. Tudo tem um alto custo, mas isto é o que menos importa, afinal, pode-se pagar no cartão (como se no cartão fosse diferente). Nunca as pessoas desejaram tanto ficar bonitas, aparecer bem na foto do Facebook, do Instagram e de outras redes sociais menos badaladas. Eu fico pensando: fala-se tanto nessas coisas de beleza, ou de falsa beleza, mas pouco se fala em saúde e bem estar geral. Chego a conclusão que não há nada mais enganoso do que a beleza da internet e da televisão. Até rimou! (15-11-2017).

NO DIA DO ANIVERSÁRIO No dia do aniversário o cardápio é vário e consome quase todo o meu salário, leva o meu dia e às vezes me traz a poes...