sábado, 17 de fevereiro de 2018

ENTREI NA FACULDADE
Dizem que para fazer ou realizar qualquer coisa não tem idade. Eu acreditei neste ditado e resolvi entrar na Faculdade. Aos 56 anos - já me disseram que aparento ter bem menos - escolhi o Curso de Letras, prestei vestibular, me classifiquei em primeiro lugar, fiz a matrícula e a partir daí não via a hora de começar as aulas.
No primeiro dia de aula me perguntaram por que eu escolhi Letras. Eu disse que é porque gosto muito de ler, escrever e já trabalho na Educação, portanto tenho contato com muitos professores e eles, de certa forma, me incentivaram e influenciaram na minha escolha. Resposta simples, mas não convincente. Na verdade, nem eu me convenci da resposta. Mas foi o melhor que eu pude dizer. Passadas apenas duas semanas de aulas, eu já começo a sentir os efeitos, e a realidade já começa a pesar. Trabalhar e estudar, até para pessoas mais jovens, é difícil e desgastante. Não dormir quase nada à noite, ler e fazer atividades nos finais de semana, tentar acompanhar as aulas cada vez mais dinâmicas e estudar Inglês, matéria que eu nunca estudei, pois não fiz estudos regulares, ou seja, no meu tempo de estudos línguas estrangeiras não eram obrigatórias. Havia outras matérias, mas não se estudava língua estrangeira. Daí a dificuldade é grande, pois estou começando literalmente do zero.
Entrar na Faculdade sempre foi um de meus sonhos. Este ano pude realizar este sonho e de certa forma estou feliz. Eu sabia das dificuldades, mas não o grau e a extensão delas. Entrar na Faculdade... Fazer parte de apenas 5% dos brasileiros que conseguem esta proeza. Conhecer o ambiente, os professores, os colegas e mergulhar no conhecimento, participar da vida acadêmica, dar opiniões, sugestões e ser chamado de “universitário”. Tudo isto eu já consegui em tão pouco tempo, mas esqueci de perguntar ao meu corpo o que ele está achando de tudo isto. O que será que ele está achando? Pelo seu cansaço inicial, pelo seu abatimento, com certeza ele não está gostando nada e não está agüentando a carga, as exigências. Mas vou conversar mais um pouco com ele e tentar chegar a um acordo. Se a gente não se entender, a última palavra será dele e eu terei que abortar o meu sonho e cuidar melhor dele, do meu corpo, afinal já estou com 56 anos. Entrar na Faculdade é maravilhoso, incrível, mas não é tudo. Posso viver e até escrever sem ter que me sacrificar tanto. Afinal de contas, a vida é mais importante do que tudo. E é dela e da saúde que eu tenho que cuidar em primeiro lugar. Mas isto não quer dizer que vou desistir. Nota. Um mês após escrever este texto eu tranquei a minha matrícula. A vida e a saúde valem mais do que qualquer graduação, sem falar no preço abusivo das mensalidades.
Cícero Alvernaz, 56, aluno do Curso de Letras na Faculdade Maria Imaculada e Membro da Academia Guaçuana de Letras.
Mogi Guaçu, 19 de fevereiro de 2011.

sexta-feira, 16 de fevereiro de 2018

SE EU PUDESSE FALAR
Se eu pudesse falar,
debater e afirmar
conclamar e expressar
tudo que sinto e desejo.
Falar do riso e do pranto,
da canção e do acalanto,
falar de tudo que existe
sendo alegre ou sendo triste,
falar do fogo e da brasa,
da choupana e da casa,
falar que o homem é isto:
um ser que pode ser visto,
ser até admirado
e ser bem aproveitado
no mais diferente trabalho.
Se eu pudesse falar,
mas às vezes me atrapalho,
falaria deste mundo
muitas vezes tão imundo,
tão cruel e violento
que o homem não sabe onde vai
e às vezes tropeça cai
e se perde sem saber.
Se eu pudesse falar
sem ninguém me interromper,
mas fico aqui bem calado
no meu banquinho sentado
sem poder me intrometer.
Cícero Alvernaz (autor)
16-02-2018.

quinta-feira, 15 de fevereiro de 2018

LEMBRANÇA
É triste olhar de lado
e não te ver.
Olhar de novo com esperança,
com desejo, com saudade,
e perceber que no banco
só existe um pequeno sinal,
uma tênue lembrança
de você quase criança
me olhando, comigo falando,
mas isto já faz tanto tempo!
Cícero Alvernaz (autor) 15-02-2018.

terça-feira, 13 de fevereiro de 2018

PRECISO TE INVENTAR
Estou fazendo uma poesia pra você,
mas você ainda não existe.
Preciso te inventar,
juntar cada pedaço,
perna por perna, braço por braço,
olhos, orelhas,
e também as sobrancelhas,
queixo e rosto,
fazer-te com gosto,
com muito cuidado
para nada esquecer
de tudo que existe,
ou deve existir.
Estou fazendo uma poesia pra você,
mas você ainda não existe.
Preciso te inventar
e depois juntar as peças
com cuidado e montar,
linda você vai ficar
e depois vai me olhar
e também me agradecer.
Na poesia te imagino
como um pequeno menino
imagina o seu brinquedo
e guarda como um segredo
o seu sonho, seu desejo,
seu carinho e seu beijo.
A poesia está pronta.
já consigo te olhar,
seu sorriso imaginar,
seu corpinho elegante,
mas você está distante,
te imagino neste instante,
linda como um diamante,
dá vontade de abraçar.
Cícero Alvernaz (autor) 13-02-2018.

segunda-feira, 12 de fevereiro de 2018

CURAU OU MINGAU DE MILHO VERDE
Descascando milho pra fazer curau.
Em Minas se diz mingau de milho verde,
mas o teor e o sabor são os mesmos,
só muda a nomenclatura. 
Esse mingau, ou curau, é uma delícia,
coisa de artista seja mineiro ou paulista.
É um creme gostoso, um mingau saboroso
que cheira longe e atrai de forma irresistível.
Esse mingau, ou curau, é gostoso,
delicioso e está esperando quem chegar primeiro,
seja paulista ou mineiro.
Cícero Alvernaz (autor) 12-02-2018.

domingo, 11 de fevereiro de 2018

A boca abocanha,
o gato arranha,
criança apanha
se faz coisa errada.
O homem persegue
e às vezes consegue
assim seu intento,
mas foge qual vento
na longa estrada.
O riso percorre,
na boca escorre
em grande risada
e até gargalhada
que pode se ouvir.
O homem se entrega,
mas seus crimes nega
e assim escorrega,
consegue fugir.
E todos se viram,
reviram, desviram,
inventam histórias,
proezas e glórias
mentindo sem dó.
Depois tudo passa
e vira cachaça
e o tempo abraça,
transforma em pó.
Cícero Alvernaz (autor)
10-02-2018.

sexta-feira, 9 de fevereiro de 2018

CARNAVAL
Carnaval no Brasil é o ano inteiro, mas existe uma data oficial no calendário na qual se comemora o famigerado carnaval. Geralmente é em fevereiro que acontece esse despropósito que envolve milhões de pessoas na maioria das mais de 5.500 cidades brasileiras. Esses dias eu vi alguém falar do lucro que essa festa promove ao comércio em geral: coisa de bilhões de reais que entram e movimentam a economia. Achei interessante a fala do repórter e de seu entrevistado, todo animado, mas depois fiquei pensando no outro lado da moeda. Fiquei imaginando o prejuízo que o País sofre com essa festa. Um prejuízo tão grande que dinheiro nenhum paga ou ameniza. Também pensei no egoismo de certas pessoas que falam de lucro, bilhões, mas se esquecem do ser humano, dos milhões que sofrem e ficam com sequelas em função do carnaval. Do dinheiro público utilizado para bancar essa folia, das marcas que ficarão no rosto dessa incauta multidão, da desgraça que aumenta a cada ano, dos abusos em suas mais diferentes facetas que vêm no bojo do carnaval, que não é cultura, não tem estrutura, é uma festa impura que leva milhões à loucura. Provavelmente, poucos vão ler, mas esta é a minha opinião sobre o carnaval. (09-02-2018)

quarta-feira, 7 de fevereiro de 2018

EU TE AMO
Eu te amo
como se ama o amor,
como o amor se ama,
como o amor me chama,
como só o amor me ama,
forte e quente como uma chama,
desejoso e febril como quem ama,
sem medo, sem segredo e sem drama,
seja no sol, na brisa ou na cama.
Eu te amo
como se ama o amor,
como se quer, como se deseja,
com o ardor de quem beija,
com o desejo de quem ama,
com beleza e com pureza,
com vontade, com saudade,
agora e por toda eternidade.
Cícero Alvernaz (autor) 07-02-2018.
FICAR SOZINHO
Ficar sozinho, viver sozinho,
sentar, deitar e dormir sem carinho,
viver como um animal pobrezinho
catando migalhas pelo caminho,
implorando um prato de comida, um cafezinho,
olhar a distância e se perder sozinho,
sentar, deitar e dormir sem carinho,
viver como um animal pobrezinho
catando migalhas pelo caminho...
Ficar sozinho, viver sozinho,
se sentir só, estar só e sem carinho.
A vida, para muitos, é um redemoinho.
Cícero Alvernaz (autor) 07-02-2018.
PAPO DE VENDEDOR
Já fui vendedor e sei como é um papo de vendedor. Na verdade, o "bom vendedor" é um empurrador. Faz de tudo para vender a sua mercadoria. Às vezes mente, engana, trapaceia, esperneia, faz cara bonita, faz cara feia, tudo para vender o seu peixe. Quando entro num comércio já sei o que vou encontrar e devo estar preparado para dizer não e até para ironizar algumas situações. É promoção e mais promoção, longo prazo para pagar, tudo facilitado, material de primeira, com garantia, pronta entrega, ou entrega em três dias e o consumidor incauto acredita. E depois acontece o que aconteceu com o meu computador. Quem me vendeu não trabalha mais na loja, estive lá ontem. Eu já me cansei de ser enganado e até ameaçado. Sim, ameaçado, pois tem gente que vem vender coisas no portão e quando a gente não compra nos ameaça. Isto me aconteceu esses dias. Fiquei estarrecido, nem dormi direito. Me ameaçou aos gritos. Deus me livre e guarde! Papo de vendedor é pior do que de certos religiosos e não aceitam um não como resposta, alguns até nos ameaçam. Esse mundo, realmente, está virando um lixão. Desculpem o meu desabafo. (07-02-2018)

segunda-feira, 5 de fevereiro de 2018

CONHECI UM HOMEM
Conheci um homem assim:
tímido às vezes, pacato quase sempre,
pouco falante, pouco elegante,
recatado, calado e trabalhador.

Conheci um homem que espalhava amor,
por onde passava deixava o seu sorriso,
o seu jeito diferente, sua voz,
seu carinho, sua forma de ser,
seu cuidado com as pessoas.


Ele aplicava injeção,
às vezes saía de madrugada para atender
algum chamado, silenciar algum gemido,
dar uma palavra de conforto a um doente,
sentir o momento, ouvir um lamento,
depois voltava cheio de vida
com a sua missão cumprida.


Conheci um homem assim:
fui seu companheiro em longas jornadas,
trilhamos juntos velhas estradas,
margeadas de capim, esburacadas,
quando eu não podia caminhar
ele nas costas me levava...


Conheci um homem assim:
e hoje sinto que a vida se esvai...
Esse homem tão bom, tão caridoso,
tão humilde e tão amoroso
era o meu querido pai.
Cícero Alvernaz (autor) 05-02-2018.

ENTREI NA FACULDADE Dizem que para fazer ou realizar qualquer coisa não tem idade. Eu acreditei neste ditado e resolvi entrar na Faculdad...