Sábado, 1 de Dezembro de 2007

UM OLHAR


Tem poder e tem magia,
Às vezes nos faz tremer.
Tem carinho, tem poesia,
Sensualidade, prazer...

Tem calor, suavidade,
E nos deixa a pensar.
Tem carinho, tem bondade,
Ninguém resiste um olhar!

Tem sonho e tem afeto,
Tem beleza e tem poder -
E me deixa inquieto
Com vontade de dizer...

Tantas palavras ao vento
Que ninguém pode ouvir,
Mas espero um momento
E fico a refletir...

Depois me vejo sozinho
E me ponho a pensar:
Como explicar o carinho
Que existe num olhar?

PROTESTO

Mais uma vez
Ficamos com cara de bobo,
Ficamos paralisados
Com esse resultado
Que se viu no Senado.

O Brasil se vestiu de luto
Nesta manhã
Com a absolvição do Renan
Lá no Congresso.
E com cara de pamonha
Assistimos mais essa vergonha
Que se deu naquele processo.

Aqueles senadores
Tão importantes senhores,
Mas, na verdade, impostores,
A sua honra mancharam...
O Brasil se entristeceu,
“Esta pancada doeu!”-
Nossa bandeira sujaram.
Agora eu pergunto a você:
Falar mais o que?

FLOR

Uma flor
Pode ser apenas uma flor.
Algo sem muita importância
Que despetalamos na infância:
“Bem-me-quer, mal-me-quer,”
“Bem-me-quer, mal-me-quer...”
Depois jogamos fora
E pisamos por cima
Num gesto infantil –
Ingênua brincadeira.

Uma flor...
Apenas uma flor!
Flor de vida tão breve
Que se vai ao vento
Tão leve...
Metáfora da vida
E dos sonhos,
Brinquedo e presente
Tão risonho!
Apenas uma flor.

Quanta beleza há em ti
E quanta luz, quanta poesia...
Flor que rima com amor,
Mas tem espinhos –
Causa dor...
Dualismo que não entendo,
Mas me rendo.
És soberana e forte
E até na morte estás presente
Na vida da gente.

CATA-VENTO


A asa do vento passou um momento
E meu cata-vento girou sem parar.
Seguiu a contento meu doce invento
Brincando no vento assim a girar.

É tanto o vento que eu não agüento,
Mas meu cata-vento não quer descansar.
Na dança do vento o meu pensamento
Se faz cata-vento feliz a girar.

A força do vento é seu alimento
E meu cata-vento se põe a brincar.
Porém se o vento parar um momento
O meu cata-vento também vai parar.

AS DUAS FACES DO PERDÃO

Dizem que perdão foi feito para pedir. Revirando os “guardados” da minha mente fiquei pensando e me perguntando: o que é mais difícil, pedir perdão ou perdoar? A dúvida persiste em machucar a minha mente nesta tarde quente de setembro... Muita gente diz: eu perdôo, mas não esqueço. Isto não é perdão! O que não for completo, definitivo não merece esse nome sagrado. Afinal, este assunto não aceita meio termo. Que dúvida, que labirinto de idéias, indecisões, lutas e reflexões!

Jesus, o Mestre por excelência, certa vez ensinou que devemos perdoar até setenta vezes sete. (Mateus l8 vers. 15 a 22). Isto dá quase 500 vezes! É preciso ser muito especial, eu diria genial para conseguir tal proeza. Mas é perdoando que se é perdoado... E de novo ficamos sem entender, pois muitos querem ser perdoados, mas não querem perdoar. O que fazer? Talvez seja melhor esquecer (como se isto fosse possível) e pensar em outra coisa, digamos, mais amena.

A pergunta insiste em martelar a nossa mente: o que é mais difícil, pedir perdão ou perdoar? Muitos certamente dirão que pedir perdão é menos difícil. Será? Talvez seja menos difícil perdoar, pois quem pede perdão, tem que humilhar, se rebaixar e reconhecer o erro. Quem perdoa faz um gesto que muitos podem considerar digno e relevante, ao passo que quem pede perdão pode ser tomado por indigno, pessoa descaracterizada e anti-social. Seja como for, ambas as posições são dignas e extremamente difíceis de serem praticadas.

Enquanto seres humanos, certamente muitas vezes fomos perdoados. Se não o fomos pelos homens, com certeza o fomos por Deus, o nosso Criador e Pai. Negar perdão a alguém, por maior que tenha sido a falta, é negar a nossa filiação, a nossa origem. Jesus certa vez orou: Pai perdoa as nossas dívidas (nossos erros) assim como nós perdoamos aos nossos devedores... Reflita sobre isto.

Sábado, 10 de Novembro de 2007

EU NÃO QUERIA TE AMAR TANTO

Eu não queria te amar tanto
E ficar assim olhando a lua.
De vez em quando derramar meu pranto
Que escorre livre pela rua.

Eu não queria ficar assim ensimesmado
Olhando as estrelas tão distantes...
Ficar por tanto tempo assim parado
Sem entender meus gestos, meus instantes.

Eu não queria comportar-me qual criança:
Ficar chorando pela casa, pelos cantos...
Viver impregnado de esperança
E ao mesmo tempo sufocar-me com meus prantos.

Eu não queria te amar tanto,
Mas agora não posso recuar.
Ainda que derrame o meu pranto
Jamais eu deixarei de te amar.

O CIRCO


O circo tem palhaços,
Tem mágicos e feras.
É fonte de ilusão,
De sonhos e quimeras.

O circo tem crianças
Que vivem no seu mundo
Pequeno, sem malícia,
Sublime e profundo.

O circo tem encantos,
Beleza e poesia.
Ao jovem traz saudade,
Ao velho, nostalgia.

No alto o trapezista
Arrisca sua vida,
E o público aplaude
Seu gesto suicida.

Nos olhos do palhaço
Existe um brilho triste,
Atrás de seu sorriso
Suporta e resiste.

Mas poucos compreendem
A vida do artista,
Seu mundo, suas mágoas,
Seu jeito intimista.

E vai a companhia
De cidade em cidade...
O circo é um mundo
De sonhos e saudades.

BARCO DE PAPEL

Fiz meu barco de papel,
Criei meus mares,
Nele coloquei meus sonhos de criança,
Naveguei sozinho, fiz meus planos,
E assim sonhei anos e anos
Embalado pela amiga esperança.

No mar senti a brisa no meu rosto,
Ouvi o canto meigo da sereia,
Vi piratas passarem, vi bandidos,
Perdi-me na distância que sumia
E vi o horizonte que se abria
Sorrindo aos navegantes tão sofridos.

Fiz meu barco de papel,
Criei meus mares
Nele coloquei meus sonhos, meus poemas,
Vivenciei histórias e dilemas,
Amei e odiei em mil lugares...
Fiz meu barco de papel
Que ainda hoje singra muitos mares.

Quarta-feira, 31 de Outubro de 2007

ELA PASSA

De vez em quando ela passa
E eu fico meio sem graça
Querendo vê-la passar.

Disfarço mais do que posso,
Mas quando de longe eu ouço
Seu barulho, seu andar,

Confesso: fica difícil,
Fica difícil ficar
Sem sentir e sem olhar.

O amigo que me lê
Talvez não vá entender
E pode até zombar...

De vez em quando ela passa
E eu fico meio sem graça
Querendo vê-la passar.

Dá vontade de correr,
Tanta coisa lhe dizer,
E até me desculpar...

Confesso: fica difícil,
Fica difícil ficar
Sem sentir e sem olhar.

E então eu me entrego,
Sou curioso, não nego,
Gosto de vê-la passar.


DE VOLTA PRA CASA

De volta pra casa
Não vejo a tarde,
Não beijo as flores,
Não ando no chão.

De volta pra casa
Não vejo pessoas,
Não falo de sonhos,
Não canto a canção.

De volta pra casa
Não vejo a hora –
É tudo demora,
Cruel lentidão.

De volta pra casa
Alguém me espera
Tão meiga, sincera,
De pé no portão.