quarta-feira, 20 de setembro de 2017

ESQUECE
Esquece o que eu falei,
esquece o que eu escrevi,
Esquece que um dia te amei,
te quis, fui feliz e chorei.
Esquece aquele sorriso prometido,
aquele abraço adiado
que não foi frouxo, nem apertado.
Esquece aquela promessa vazia,
aquele verso da minha poesia,
aquele beijo de leve,
aquele carinho, o toque de mão...
Esquece aquele passeio,
aquele recheio no pão,
esquece o meu violão
que arrebentou uma corda
naquela noite sem lua.
Esquece os gritos perdidos
que enchiam nossa rua,
esquece o que eu falei,
esquece o que eu escrevi.
Só não esquece que eu te amei
desde o primeiro momento
quando um dia te vi.
Cícero Alvernaz (autor) 20-09-2017)
TRISTEZA
Falar de alegria é fácil e é muito bom. Falar do Rock in Rio, dos shows e suas peripécias e exageros, falar das aventuras pelos campos e cidades, das festas regadas a tantas bebidas que escorrem pelas bocas e antes de esvaziar um copo alguém já aparece para reenche-lo. Alegria, alegria, alegria! Falar de alegria é tão bom que até as igrejas já entraram nessa onda. Por mais paradoxal que pareça, eu prefiro falar de tristeza. Talvez por isto os meus leitores não são muitos. Falar de tristeza, sentir tristeza, me quedar cabisbaixo e pensativo como um menino que perdeu ou quebrou o seu brinquedo, ou como alguém que treme de medo perdido por aí, ou em alguma "fila da morte". Suspirar e chorar às vezes sem lágrimas para derramar de tanto que já chorou, se expressar através do sentimento e do sofrimento, amar sem ser amado, ficar sentado ou agachado, escondido e perdido... Falar de alegria é fácil e corriqueiro, mas primeiro eu quero falar de tristeza, falar da realidade, do meu choro convulsivo por mim e pela humanidade e me revoltar e chorar e olhar o mundo com o meu sentimento profundo e os olhos inchados de tanto chorar, num ímpeto de dor, sofrimento e tristeza. (20-09-2017)

segunda-feira, 18 de setembro de 2017

NÃO ME LEVE
Não me leve a lugar nenhum,
não me tire daqui, não me leve ali,
não me deixe a esperar
até o dia clarear
e as aves fazerem sua festa
saudando mais um dia.
Não me leve, fica comigo,
eu tenho pra nós dois um abrigo
onde o amor viceja,
onde a chama deseja,
onde a corpo flameja,
onde o riso é solto,
onde a vida é bela
a olhar da janela
o campo em flor.
Não me leve contigo,
mas fica aqui comigo,
eu tenho pra nós um abrigo,
uma cama, um cobertor,
um peito cheio de amor,
um corpo quente, ardente,
muitos beijos e abraços,
é nosso esse espaço,
por você eu tudo traço,
tudo em nome do prazer,
vem meu corpo aquecer,
de carinhos me encher,
no seu colo me acolher
como os versos que eu faço.
Cícero Alvernaz (autor) 18-09-2017.
LEITOR ANALFABETO
Ele lê pouco,
pouco pouco pouco,
lê pouco, muito pouco,
só lê o título,
só lê o primeiro verso,
só lê a primeira estrofe.


Não lê o poema todo
porque não tem tempo,
porque já sabe o final,
porque não gostou da temática,
porque não gosta do poeta,
porque não gosta de poesia,
porque está cansado,
porque está com pressa,
porque a vista está fraca,
porque tem mais o que fazer
e porque não gosta de ler.


Esse é um leitor-objeto,
um leitor analfabeto.
Cícero Alvernaz (autor)
18-09-2017.
"CORTA PRA MIM!"
Não sou muito dado a homenagear, fazer homenagens e oferecer algum tributo a alguém ou a alguns, principalmente quando não conheci essa pessoa, nem ela me conheceu. Prefiro guardar o meu sentimento, a minha gratidão e deixar que o coração fale por mim. Ontem, dia 17-09-2017, tive um dia triste, fechado, parado, denso e tenso. Não saí, pouco escrevi e me perdi em lembranças e recordações deixando pairar as emoções que se impunham sobre mim. À noite, quando a mente desacelera um pouco, pude pensar melhor e sentir com mais clareza a "perda monstro" que o nosso País teve com o anúncio da morte do jornalista, repórter-investigativo e apresentador Marcelo Rezende, que comandou por muitos anos um programa que, apesar do seu teor investigativo-policial, era líder de audiência na emissora. Com seus bordões, seu jeito engraçado e sério, sua inteligência, capacidade e genialidade, Marcelo abraçava o País denunciando mazelas, tocando nas feridas abertas com seu jeito especial, sua experiência de tantos anos em programas do mesmo teor e audiência em outra emissora de televisão. Tornei-me um fã de Marcelo Rezende, comprei o seu livro "Corta pra mim" logo após o seu lançamento, o li com avidez e acompanhei assim a trajetória do maior repórter policial que o Brasil já teve. Falar de certas pessoas, ou escrever sobre algumas pessoas não é tarefa fácil, pois muitas vezes somos traídos pela emoção que teima em chegar e tomar a nossa consciência, o nosso raciocínio. Isto não é exatamente uma homenagem, mas uma lembrança que eu quero registrar, documentar e compartilhar. A vida é assim, sempre foi assim como num jardim onde flores murcham, se secam para dar lugar a outras que, igualmente, vão continuar embelezando e perfumando o ar e o espaço entre os canteiros e os caminhos. Saudade...
18-09-2017.

domingo, 17 de setembro de 2017

JÁ CHOREI POR MULHER 
Pode parecer chatice,
esquisitice, tontice,
tolice ou mesmice,
algo que ninguém viu, nem disse,
coisa de quem não bate bem,
ou não sabe o que quer.
Mas a verdade, porém,
(eu só não digo por quem),
mas já chorei por mulher.
FLERTANDO COM A POESIA 
Descobri que tenho esse dom e resolvi deixa-lo fluir. Se tantos fazem tantas coisas, algumas até suspeitas, por que eu não faria algo lindo e insuspeito? Deixei cair na terra o meu verso e ele ampliou meu universo, contornou as suas linhas, pintou e embelezou o seu traçado. Com palavras, frases, técnica e estética aprofundei-me no oceano das ideias e da fluência quase sem limites que se incorporou à minha escrita. Carreguei muitas dores, dissabores e amores, me esqueci sentado e flertando com a poesia, muitas vezes preguiçosa e arredia. Foi uma brincadeira que me propus realizar e dela me aproveitar para melhor suportar as agruras da vida. Descobri que tenho esse dom ainda muito cedo e resolvi, sem medo, abraça-lo e deixar fluir meu sentimento, muitas vezes em forma de lamento que ecoou pelos ares. Hoje, não preciso fazer mais nada a não ser palmilhar essa estrada que me leva cheio de esperança, qual criança que aprecia o seu brinquedo. Se tantos fazem tantas coisas, algumas até suspeitas, por que eu não faria algo lindo e insuspeito? Deixa esse rio correr no seu leito! (17-09-2017)

sexta-feira, 15 de setembro de 2017

COMO SE FOSSE CRIANÇA
Passa, repassa,
e deixa o seu perfume.
Deixa sua marca,
seu olhar e o seu rastro.
Deixa uma lembrança
e quando você se for
vou te olhar até sumir na curva,
ou até onde a vista alcança
por amor e amizade
como se fosse criança.
Passa e fica
pacifica com seu jeito,
faz bater meu coração
bem forte no meu peito
e me deixa com vontade de amar.
Deixa depois um sorriso,
uma flor e um aviso,
deixa o sol e deixa a brisa,
minha vida ameniza
faz de tudo um paraíso.
Passa, repassa,
e deixa aqui sua marca,
seu carinho, seu abraço.
Deixa conosco seu rosto,
seu perfume e seu gosto
como sonho e lembrança.
Depois segue o seu caminho
e eu ficarei sozinho
recordando seu olhar
como se fosse criança.
Cícero Alvernaz (autor)
15-09-2017.
CALOR
O calor cala,
abafa o quarto
e a sala
e abala
o meu frágil corpo,
me deixa
sem coragem
pensando bobagem,
com moleza
e com tristeza.
O calor restringe,
me atinge
e às vezes finge,
mas não me engana.
Me faz tirar a roupa,
não me poupa
e nem me dá trégua,
passa no meu corpo a sua régua,
me mede, me revolta,
e depois me solta,
mas eu continuo quente.
O calor, meu desafeto,
me faz ligar o ventilador do teto
me faz abrir a janela
num momento
tentando aumentar o vento,
mas isto é de pouca valia
e quando menos percebo
lá se foi o dia
com seu mau humor -
e eu ainda tenho
que aguentar
a presença do calor.
Cícero Alvernaz (autor)
15-09-2017.

quinta-feira, 14 de setembro de 2017

BRIGA DE CASAL
Nem toda briga de casal tem violência física. O mais comum são agressões verbais, xingamentos acintosos e discussões muitas vezes até sem motivo justificativo. E quase sempre o motivo é o ciúme, ou algum outro motivo banal. Enquanto está só no campo das discussões é normal e comum, o clima esquenta é quando começam a voar objetos com o seu barulho peculiar se quebrando ou se espatifando pela casa. Briga de casal tem vários motivos e muitas vezes não tem motivo nenhum, ou pelo menos nada que aparentemente se justifique. Um dia numa viagem uma senhora muito simpática me contou de um casal vizinho dela algo que eu achei diferente e interessante. Era briga quase todo dia e o motivo, pasmem! era o amor ou a falta do amor, digo: fazer amor. O casal brigava para se esquentar, usavam a briga, a discussão para depois fazerem as pazes de uma forma muito interessante e eletrizante. A senhora que me contou nem ligava mais, pois sabia os motivos da briga. O outro vizinho chegou a chamar a polícia que chegou e quando percebeu o motivo da "briga" foi embora achando graça de tudo aquilo. Antes de chamar a polícia e se envolver em briga de casal é bom ver e analisar os reais motivos da briga. Nem toda briga de casal corresponde áquilo que normalmente pensamos e julgamos. E que alguns casais briguem cada vez mais! (14-09-2017)

terça-feira, 12 de setembro de 2017

A FOTO
Todo dia ele ficava olhando aquela foto. Quando se levantava, a primeira coisa que fazia era olhar aquela "bendita" foto. Parecia uma religião, uma devoção, uma obrigação, ou mesmo um vício. Várias vezes ao dia ele passava onde a foto estava, num quadro na parede, parava, olhava e falava algumas palavras que ninguém conseguia entender. O tempo passou e ninguém descobriu aquele mistério, pois todos tinham medo ou cisma de perguntar. Parecia uma simples foto, mas tinha um segredo por detrás daquele ritual. O que seria, o que será? Criou-se um clima de medo e de expectativas, mas aparentemente era só uma foto na parede. Espalhou-se boatos que a tal foto piscava os olhos e até falava, mas ninguém confirmava nada. Por fim, descobriram que não era uma foto qualquer: era o quadro de um santo da devoção dele. E tudo, finalmente, se acalmou naquela casa. (11-09-2017)

ESQUECE Esquece o que eu falei, esquece o que eu escrevi, Esquece que um dia te amei, te quis, fui feliz e chorei. Esquece aquele sorris...