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NÃO PERTURBE A POESIA Não perturbe a poesia: deixe-a quieta no seu canto. Se você não acredita nela por que ficas falando, tagarela, zombando de seu encanto? Ela sobrevive sem ti e não te pede ajuda, nem favor. Deixe-a com seus pesares, ou a procure se desejares, mas entenda sua dor. A poesia resiste ao tempo, vem de séculos passados. Muito antes de mim ou de ti ela já brilhava aqui e ali, consolando corações apaixonados. Não perturbe a poesia: deixe-a sozinha no seu canto. Ela vem quando quiser na alma do homem e da mulher que admira e ama o seu encanto. Cícero Alvernaz (autor), 15-08-2014.
ÁRVORE CENTENÁRIA Perto do SESI ela foi plantada e há muitos anos nasceu. Por muitos ela foi cuidada e assim com o tempo cresceu. Passarinhos pousaram nela, e ela agradeceu. Muitos cuidaram dela, com o tempo floresceu. Naquele tempo era tudo diferente, tudo estava abandonado. Não tinha casa nem gente, só mato por todo lado. Mas a árvore cresceu embalada pelo vento. As intempéries venceu, a terra lhe deu sustento. Hoje é árvore centenária que todo mundo admira. Linda, forte, necessária, e a este poeta inspira. Quando a vejo frondosa, quando passo perto dela, eu a vejo mais formosa e aceno para ela. Ela também me acena e me enche de emoção. Relembrando esta cena bate forte o coração. Cícero Alvernaz (autor), 13-08-2014.
A FORÇA DOS NÚMEROS Cada político candidato tem um número, cada preso tem o seu número de registro, cada atleta de futebol ou de qualquer outro esporte tem o seu número na camisa ou no calção que indica a sua posição no time. Todas as coisas têm o seu número: os telefones fixos ou móveis têm o seu número, o seu prefixo, o calçado que eu compro tem o seu número, a conta no Banco tem um número, o aluno da escola tem o seu número na lista de chamadas, enfim, tem gente que fala que a Matemática não serve pra nada, mas ninguém vive sem os números. Por falar nisto, tem alunos cursando o Colegial que não sabem tabuada. Mas todo mundo conta dinheiro e sabe olhar as horas. Tudo gira em torno de números, e quando uma pessoa morre alguém diz: ela morreu com tantos anos. Por falar nisto, dentro de alguns meses estarei completando 60 anos de vida. Mas aí é uma outra história. Cícero Alvernaz, 12-08-2014.
Cachorros soltos nas ruas são os maiores inimigos dos ciclistas. Muitas vezes quase sofri acidentes, ou quase causei acidentes por causa desses animais que ficam soltos e às vezes cismam de avançar na gente quando passamos. O ciclista fica numa situação complicada: se pedala mais e foge, o animal corre mais e torna tudo mais perigoso e fora do controle. Já aconteceu muitos casos semelhantes comigo. A estratégia melhor é parar, descer da bicicleta e enfrentar a fera, jogar a bicicleta em cima dele, mas ás vezes são dois ou mais. Pior é quando eles aparecem do nada e avançam com tudo na bicicleta e no ciclista. E muitas vezes o suposto dono fica olhando e até dando risada. Definitivamente, rua não é lugar de animal. Quem tem, que cuide. Cícero Alvernaz (autor), 11-08-2014.
Um dia alguém me perguntou: "Por que você escreve essas suas poesias se ninguém lê elas?". Esta me pareceu uma pergunta lógica, pelo menos do ponto de vista da pessoa que a fez. Depois de pensar um pouco eu respondi: "Minha poesia não tem culpa se poucas pessoas as leem. Eu as escrevo porque gosto, e as pessoas as leem porque também gostam". Portanto, existe uma relação muito próxima entre as minhas poesias e as pessoas que eventualmente as leem. Quando fazemos algo, primeiramente o fazemos para nós. O Senhor Jesus disse certa vez: "O ceifeiro seja o primeiro a comer do fruto". Se o "fruto" me agrada é o que me basta. O mais que viver será lucro líquido e certo. Por isto, continuo escrevendo as minhas poesias. Cícero Alvernaz (autor), 09-08-2014.
BRINCAR COM PALAVRAS... Brincar com palavras... É preciso brincar. Palavras não brincam, brincamos com elas. E nascem histórias que não se apagam, boatos, mistérios, os causos são sérios! Brincar com palavras... Às vezes dá medo. Um monte de versos, diversos segredos. "Na praia deserta surgiu um fantasma, é tudo mentira, ou tudo verdade?". O mundo respira, se vira de lado, palavra é bicho estranho, alado. Brincar com palavras é necessidade. Cícero Alvernaz (autor), 06-08-2014.
Com o tempo, a gente descobre que as coisas importantes não são tão importantes, que há coisas mais importantes e essenciais no nosso dia a dia. Com o tempo, ficamos mais seletivos e mais ativos e não ligamos mais para coisinhas, frivolidades, mal querências, advertências e indiretas. Somos como uma árvore bem enraizada, profunda que não se abala com a força do vento e da tempestade. Amadurecemos, mas continuamos rijos e fortes, diferentemente da fruta que amadurece e depois cai. Com o tempo, a gente cria um mecanismo de auto defesa e nada nos abate ou nos pressiona. Deixamos de ser egoístas e otimistas para sermos realistas, focados em algo que realmente nos interessa. Com o tempo, a gente se desfaz de velhos hábitos e costumes e passa a valorizar mais as pessoas e a vida das pessoas. Descobrimos, enfim, o que realmente é viver e produzir sem se imiscuir em questões outras, alheias a nós e à nossa vida. Finalmente, vivemos, compreendemos e nos compreendemos dentro do contexto da vida....