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DIGA NÃO Á PICHAÇÃO

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Eles se julgam artistas, mas não são, eu bem o sei. Sua “arte” é pichar usando tinta e spray. Saem por aí toda noite, às vezes até de dia, E cometem esse crime com prazer e alegria. Por conta da impunidade que impera no país, Eles semeiam maldade qual bandido aprendiz. Sujam muros e paredes sem cerimônia ou mistério, Picham igrejas, comércio, e os muros do cemitério. Prédios públicos e praças, casas e até viadutos. Eles fazem a sujeira depressa em poucos minutos. Emporcalham a cidade bem depressa e escondidos Por incrível que pareça não são pegos nem punidos. Até quando vai durar essa terrível vergonha? A população espera e com esse dia sonha.

POEMA DA LAVADEIRA

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Lava, lava, lavadeira, Com a alma, com a mão. Água canta na torneira Sua líquida canção. Lava, lava, lavadeira, Sem descanso, sem razão. Sua história verdadeira Escreve-se com sabão. Água canta na torneira Sua líquida canção, Lava, lava, lavadeira, Com a alma, com a mão. A manhã é transparente, Brilha o sol com seu calor. Tanto sonho de repente Misturado com suor. Lava, lava, lavadeira, Sua roupa-ganha-pão, Você tem a vida inteira, Pra cumprir sua missão.

ASSIM É VOCÊ!

Um jeitinho misterioso e elegante De olhar e de andar. Um gesto imprevisível Querendo dizer palavras Ou pedir algo De uma forma toda especial... Um hábito que se repete E nunca se cansa E sempre parece novo E contagia pela ternura e leveza... Pequenas coisas somadas Que encantam e inspiram num momento, Palavras que se soltam E revoam e se tocam com carinho... Versos perdidos ao vento Buscando no ar o seu lar, Seu momento... Risos e sonhos, Andar sem destino á beira do mar... Jeito de ser E de se entender Sem se maldizer E nem reclamar... Assim é você!

SORRIA! VOCÊ ESTÁ SENDO FILMADO

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Por onde andamos tem quase sempre um olho eletrônico a nos espreitar. Ao entrar na loja de variedades, ao chegar ao um posto de gasolina ou quando entramos num supermercado, somo fitados por esse olho indiscreto vigiando os nossos passos e nossos gestos. Muitos ficam constrangidos ao saber que estão sendo filmados e tomam os devidos cuidados e até evitam certos gestos mais ousados preferindo os mais comedidos. Parece uma investigação, uma sombra nos perseguindo com seus tentáculos prontos para nos acusar e nos deter. O ser humano às vezes tem mania de perseguição – um distúrbio que prejudica a sua convivência e o seu desenvolvimento. De repente cismamos que tem alguém nos perseguindo (e às vezes tem mesmo!) e ficamos trêmulos e quase sem ação. Há pessoas que têm complexos e se sentem inferiorizadas, perseguidas e incompreendidas. Algumas pessoas não conseguem enfrentar a realidade e baixam a cabeça diante de qualquer problema. Sempre se sentem filmadas, fotografadas, observadas e criti...

A MENINA E O POETA

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A menina vai Levada pelo vento, Seu cabelo se espalha Como pluma, como palha, Ela segue ao relento. Numa flor vejo poesia, A meiga menina vai... Seu sorriso é um sonho, Mas seu olhar é tristonho Como a flor que murcha e cai. Esse instante não se conta, Essa história não se diz. Muito além de nossa mente A menina segue em frente Tão sozinha, infeliz. Enquanto a menina vai O poeta faz poesia. E a noite vem caindo, Mil estrelas vão surgindo Despedindo-se do dia. A menina vai Em meio à noite tão densa. O poeta também vai, Entretanto se retrai, Senta, se acalma e pensa: “Aonde será que ela vai Com esta luz tão imensa?”

PAIXÃO

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Aos poucos ela se entrega, Vai despindo seu mistério, Vai se abrindo em silêncio. Como a chuva de mansinho Ela vem devagarinho E me olha com carinho Sem perguntar o que eu penso. Aos poucos ela me toca E sem querer me provoca Sorrindo, sem nada dizer. Como o vento no arvoredo Ela me toca sem medo E faz de mim seu brinquedo, Sua fonte de prazer. Depois me deixa perdido, Mas com fome, atrevido, Quase louco de paixão. E tanta coisa me ensina Com seu jeito de menina, Mas nossa noite termina Sem nenhuma explicação.

ALGO DESUMANO

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A cidade cresceu Como crescem as crianças, Só ficaram as lembranças Da meiga cidadezinha. Muitas fábricas chegaram Espalhando seu progresso, Poluíram e sujaram Virando tudo do avesso. A rua suja de lama, O parque sujo, pisado, Progresso não é pecado, Mas é algo desumano. O rio ficou imundo Podendo até morrer, Parece o fim do mundo Que chegou sem nos dizer. A cidade cresceu: Não é mais cidadezinha Que tanta beleza tinha Com seu puro romantismo... O ar ficou poluído, O céu é feio, cinzento, E o cantar dos passarinhos Mais parece um lamento.